REABILITAÇÃO DE INTERIORES
No coração do Chiado, este apartamento pompalino renasce como um sussurro luminoso do século XVIII. A luz entra generosa pelas altas portas/janelas, atravessando caixilharias de madeira branca como quem toca piano nas superfícies. Desenha no chão de pinho um mosaico vivo de sombras, lembrando que o tempo não se apaga.
A materialidade é uma narrativa em camadas. As pedras originais, reveladas nos vãos, guardam a memória telúrica da reconstrução pombalina; são molduras rugosas que abraçam a delicadeza do interior. A madeira, quente e contínua, ecoa o ritmo antigo do bairro, enquanto õs apontamentos contemporâneos respondem com serenidade, como quem reconhecesse o privilégio de habitar a História.
Tudo aqui vive entre a solidez do passado e a leveza da luz. O espaço respira com a cadência de Lisboa: antigo e novo, firme e etéreo e silencioso. É uma casa que não se limita a acolher —mas narra, pela luz que percorre e pelos materiais que preserva, a poesia da cidade discreta e silenciosa.









