REABILITAÇÃO DE INTERIORES
Num recanto de 20 m² junto à Sé de Lisboa, este pequeno estúdio respira a intimidade das construções antigas, onde cada curva e cada pedra parecem guardar séculos de murmúrios. Aqui, a luz chega suavemente. Entra pela janela arqueada como se comunicasse reboco curvo do teto.
A materialidade revela de imediato a sua herança: os arcos em pedra, expostos como raízes de um tempo que sobreviveu a pregões, sinos e passos que ecoam pela colina da Sé. Entre estas paredes antigas, os elementos contemporâneos surgem com precisão — a pedra amaciada, os elementos em madeira escura — como se soubessem que o protagonismo pertence à arquitetura pombalina tardia e ao desenho orgânico deste abrigo.
A escala reduzida não limita; pelo contrário, amplifica a poesia do lugar. É um espaço que acolhe o silêncio e o trabalho, onde a pequena secretária negra se aproxima da janela para beber da luz e do rumor da rua.
Aqui, o tempo escoa devagar. O estúdio é um intervalo luminoso entre a história que se sente na pedra e a leveza contemporânea que o habita. Uma síntese delicada do que Lisboa faz melhor: transformar cada metro quadrado em alma.







